
Um dia você resolveu abrir um negócio, viu que era o momento e que estava na hora de empreender algo seu, que representasse suas idéias e que fosse o fruto e reflexo do seu talento, conhecimento e habilidade. Olhou para o mercado, buscou referências no histórico profissional, visualizou o futuro e..."pimba", encontrou um modelo de negócio oportuno e com grande possibilidade de êxito.
Nos primeiros anos o trabalho foi duro - árduo como colocar uma casa em pé – trabalhando horas e horas para vender suas idéias, cumprir suas promessas, aprender com os erros e com as barreiras que foram surgindo. Aos poucos, o lucro foi aparecendo, junto com o reconhecimento dos clientes e o apoio de fornecedores, que agora dão mais atenção ao seu negócio. O fluxo de caixa já deixa dividendos em sua conta, o negócio prospera. De repente, você percebe que tem uma marca, que sua empresa não é tão nova assim, que muitas vendas acontecem em "piloto automático", em razão da demanda construída por todo esse tempo.
Capitalizado, com conhecimentos muito maiores sobre o mercado e com uma visão mais real sobre o modelo de negócio criado e seu potencial alavancador de resultados, chega o grande momento e com ela a grande dúvida, que eu chamo de "dilema do crescimento": quero crescer, tenho capital, conhecimento e perspectivas, mais ainda, tenho um negócio que vêm funcionando. Sei que para crescer preciso investir em marketing, ampliar minha área de vendas e melhorar minha estrutura de apoio e atendimento – mas não tenho capital para tudo isso. Então por onde começar? Marketing pode gerar mais demanda, ou não; a área de vendas pode trazer mais resultados, ou nem tanto; e mais estrutura certamente melhora minha qualidade, mas aumenta diretamente o custo fixo. E se os investimentos em marketing não trouxerem demanda? E se área de vendas, ampliada, não conseguir o desempenho suficiente para manter a operação e o "balanço" no azul?
Posso afirmar que esse é o dilema de todos "poucos" empreendedores que conseguem vencer o desafio dos primeiros anos (segundo uma pesquisa realizada pelo Sebrae-SP, sete em cada dez empresas não conseguem chegar ao 6º ano de atividade – "morrem" antes). Na consultoria, nos cursos e treinamentos que aplicamos, volta e meia somos abordados por esses empreendedores que sobreviveram, que agora estão vivendo, e que querem crescer mais, mas que sabem que precisam encontrar respostas para esse dilema.
*Marcelo Miyashita é consultor líder e palestrante da MIYASHITA CONSULTING. É professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Atualmente leciona na Cásper Líbero, FGV-EAESP,