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Érika AlessandraRepórter Metropolitana
Por Érika Alessandra
erika_imprensa@yahoo.com.br

Quarta, 31 de dezembro de 1969
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Câmara denuncia fábrica de agrotóxico Nufarm Ao Ministério do Meio Ambiente e à Anvisa

A antiga Agripec é responsável pela fabricação do Stron, um veneno perigoso a saúde humana


    A Câmara de Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza, encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente e à ANVISA documento solicitando a proibição da formulação do produto agrotóxico, conhecido como metamidafós ou Stron, um veneno altamente danoso a saúde humana.

    A denúncia foi entregue em mãos ao diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, José Agenor Álvares da Silva, durante o III Seminário Nacional sobre Agrotóxicos, saúde e Sociedade, promovido pela ANVISA e Ministério da Saúde nos dias 08, 09 e 10 de julho, em Brasília.
    A empresa Nufarm fica localizada há 600 metros do Conjunto habitacional Novo Maracanaú e é responsável pela fabricação do agrotóxico que vem, ao longo de vários anos causando efeitos colaterais em moradores dos bairros Novo Maracanaú, Piratininga, Coqueiral, Jenipapeiro, Conjunto Jereissati 1 e Loteamento DI 2000.
    Além do mau cheiro, identificado pelos moradores como sendo de rato podre ou amônia, o agrotóxico tem causado muitos problemas de saúde como dores de cabeça, náuseas, insuficiência respiratória, queimação na mucosa nasal, ardência nos olhos, coceiras, pneumonia e até leucemia.
  
Á frente do movimento contra os agrotóxicos e contra a instalação da fábrica no município, a moradora Ireuda Ferreira Tavares luta há 15 anos e é também uma das vítimas do agrotóxico.
A liderança foi convidada a participar do seminário, em Brasília, juntamente com a professora Raquel Rigoto, membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, que fez mestrado sobre a problemática vivida pela população Maracanauense no enfrentamento do veneno. 
Um dossiê, relatando toda a realidade sofrida pela população maracanauense foi encaminhada e o caso está sendo acompanhado pelo Procurador do Ministério Público Federal no combate de questões ambientais, Marcellus Lima.
    Durante o III Seminário da ANVISA, foram discutidos os impactos do uso de agrotóxicos no país e os prejuízos para a saúde humana.    
Uma comissão recebeu as denuncias de Maracanaú, Limoeiro do Norte e da Chapada do Apodi, por uso indevido de agrotóxicos. O caso de Maracanaú teve bastante repercussão e foi considerado gravíssimo pelas autoridades que avaliaram o dossiê.
O objetivo do encontro é gerar resultados e perspectivas para o controle de agrotóxicos, criando alternativas à agricultura convencional e com a participação da sociedade na tomada de decisões no setor.


* O que é o Stron - O Stron ou Metamidafós é um inseticida sistêmico de contato e ingestão, classificado como extremamente tóxico e de alta periculosidade e danos ao Meio Ambiente e à saúde humana.
    Os sintomas de exposição e intoxicação causadas pelo agrotóxico são: Cefaléia, tontura, náusea, vômito, hemorragias, hipersensibilidade, fasciculação muscular, lesão cerebral irreversível, tumores, paresia e paralisias reversíveis, tumores malignos, atrofia testicular, ação neurotóxica retardada, esterilidade masculina, alterações irreversível, problemas neuro-comportamentais, neurites, distúrbios neuro-psicológicos, dermatites de contato, formação de catarata, atrofia do nervo óptico, lesões hepáticas morte fetal desorientação, dificuldade respiratória, coma. O contato direto ao produto pode levar à morte.
População sofre com envenenamento em massa

Leucemia
“Tive leucemia e fiz tratamento por quase dois anos. Tive que ir embora e dar um novo rumo à minha vida. Voltar lá? Nunca mais”
Ana Érika, 26 anos, moradora do Novo Maracanaú nos anos de 2002 a 2005.
Sintomas: Dores intensas nas articulações, tumor e diagnóstico de leucemia.
Fez tratamento durante um ano e meio e foi aconselhada pela médica a ir embora do conjunto.
Hoje, grávida de seis meses, está com a casa à venda e agradece à Deus a chance de recomeçar a vida em outro lugar.

Sofrimento em família   
   

“Quando cheguei aqui não sabia que era assim. Tanto eu como minha família sofremos com problemas de respiração e até sangramento nasal. Minha esposa vive passando mal. Isso é desumano”
Seu José, morador do Conjunto Novo Maracanaú há 16 anos. Mora com a esposa, dona Marlene e os filhos
Também está com a casa à venda.

 

Vendeu a casa para salvar a vida do filho   

“Vivia com meu filho doente, sofrendo com insuficiência respiratória. Passava mais tempo no hospital que em casa. Fui aconselhada pelo médico, depois que disse que morava perto da fábrica de agrotóxico a ir embora. Hoje moro em Pajuçara e a saúde do meu filho vai muito bem, obrigada”
Ana Angélica Oliveira Silva morou 21 anos no Novo Maracanaú. Depois do nascimento do filho vivia em hospitais. Com o agravamento da doença do filho resolveu vender a casa e se mudar para a Pajuçara, onde o filho Alexandre vive tranqüilo e sem problemas respiratórios.


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