O controle de territórios por facções criminosas tem afetado a rotina de aprendizado de crianças e adolescentes que vivem na periferia da Grande Fortaleza. A evasão escolar, que em 2017 chegou a 6,7% dos estudantes do ensino médio cearense, se agravou nos últimos meses com a revogação do direito de ir e vir nas comunidades, imposta por esses grupos. Ameaçados e assustados, muitos alunos da rede pública acabam abandonando os estudos para não cruzar regiões marcadas pelos “conflitos territoriais”.

E foi nesse contexto que estudantes do ensino fundamental e médio de cincos escolas públicas foram convidados pelo projeto Enel Compartilha Animação a trabalhar numa estratégia de transformação social que usa a arte como medida de segurança pública. Na primeira etapa, a equipe do professor e cineasta Telmo Carvalho visitou cada uma das unidades de ensino para sensibilizar esses jovens para a magia da produção audiovisual. Após dez dias e uma elaborada triagem, 10 estudantes foram selecionados para a segunda etapa do projeto no Núcleo de Cinema de Animação da Casa Amarela Eusélio Oliveira, da Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com Telmo, neste segundo momento, os jovens serão desafiados a discutir a reconstrução desses espaços e produzir um curta-metragem sobre a “segurança da população” com equipamentos e programas de computador utilizados em grandes estúdios cinematográficos. O filme de animação, de apenas 5 minutos, será exibido no dia 04 de agosto durante a abertura do 28º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. “Nosso trabalho é promover meios para incitar a criação a favor do processo de humanização desses jovens. Não podemos esquecer que o acesso à arte é vital para os processos de reconstrução do espaço social dessas comunidades que sensibilizamos através dessas crianças”, explica.

Ainda de segundo o facilitador, a lição levada ao cotidiano desses alunos é completa. “Eles aprendem a fazer roteiros, elaborar personagens, cenários e editar. Trabalhamos com a habilidade, conhecimento e competência de cada um. O roteiro é feito pelos estudantes, eles dão as ideias e criam a história, nós interferimos apenas na parte técnica”, conclui.

Um dos selecionados para formar a turma é estudante do 3° ano do ensino médio da escola municipal Doutora Aldaci Barbosa. Morador do Conjunto Palmeiras, Bruno Soares de 17 anos, acredita que a produção de um filme sobre segurança da população, poderá abrir novos caminhos e chamar atenção do Poder Público para os obstáculos vividos pela periferia.

 “Acho que fazer um filme sobre esse assunto pode ajudar as pessoas a pensar. No bairro onde eu moro tem muito jovem no mundo do crime e acho que o motivo é por falta de oportunidade. Não tem emprego, não tem o que fazer. Na favela não tem muito como o que se ocupar e por dinheiro acaba entrando no crime e isso pode ser o começo de uma mudança de vida. Estou ansioso para entrar e conhecer um novo mundo.” afirma.

Escolas e alunos selecionados

EMEIF Marieta Cals – Letícia da Silva Fernandes e Camila Alves Duarte

EEFM Doutora Aldaci Barbosa – Samuel Oliveira da Silva e Bruno Wesley Soares

Escola 12 de Outubro – Matheus Gomes da Silva Andrade e Lara Katlen Pacheco Matos

Escola Sinó Pinheiro – Yngrid dos Reis Tiburcio e Kayla Emilly Magalhães Firmino

Lar Fabiano de Cristo – Júlio César Braga e Regina Maria da Conceição

Projeto

Há 11 anos, o Enel Compartilha Animação já beneficiou mais de 2 mil crianças e adolescentes de escolas públicas de Fortaleza e outras cidades do interior do Estado. O projeto integra a rede de ações de responsabilidade social desenvolvida pela Enel e é realizado pela Associação Cultural Cine Ceará e pelo Instituto Agua Boa Cultural, em parceria com a Casa Amarela Eusélio Oliveira, da Universidade Federal do Ceará (UFC). O Enel Compartilha Animação é viabilizado pelo Mecenato Estadual do Ceará e conta com apoio do Governo do Estado do Ceará através da Secretaria de Cultura (Secult).

E é dessa forma que a Enel reforça seu compromisso com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) “Educação de Qualidade”, uma agenda de objetivos e metas originados a partir da Rio +20 e aprovados na Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (25-27 de setembro 2015). Ao todo são 17 objetivos e 169 metas úteis para o desenvolvimento sustentável, desafios que requerem uma parceria global com a participação ativa de todos, incluindo governos, sociedade civil, setor privado, academia, mídia, e Nações Unidas. Mais informações em: http://www.pnud.org.br/.