O ditado popular "No início, tudo são flores" cai bem para parte dos feirantes da Praça da Sé que acreditaram que montar suas barracas no Feira Center, em Maracanaú, seria um grande negócio. No fim de maio, quando a feira começou a funcionar no local, 2.200 feirantes disputaram os melhores espaços. A parceria entre a prefeitura do município, a Associação dos Feirantes e o Feira Center prometia lucros para os três lados: atrair mais consumidores, benefícios, emprego e desenvolvimento do comércio, dos serviços e do turismo.
Menos de seis meses depois, apenas 450 ambulantes permanecem no espaço com um problema a mais: a administração do Feira Center anunciou, oficialmente no dia 1º de outubro, que saiu da parceria e deu prazo legal de 90 dias, contados a partir dessa data, para que os feirantes deixem o local. A inadimplência de aproximadamente 90% na taxa cobrada aos feirantes (no valor de R$20,00 por mês) e os altos custos de manutenção (água, energia elétrica, segurança e limpeza) são as justificativas da empresa para romper o acordo.
A falta do pagamento da taxa motivou a "apreensão" por parte da direção do Feira Center, segundo relata o presidente da Associação dos Feirantes da Praça da Sé em Maracanaú (AFS), Simão Furtado. "Essa ação e o impedimento de trabalharmos até o dia 31 de dezembro nos motivou a protestar e procurar a Justiça", diz Simão.
Eles promoveram, na manhã de ontem, caminhada pelas ruas de Maracanaú e manifestação. O grupo também procurou apoio dos vereadores e entrou com Ação Cautelar requisitando a liberação das barracas.
À tarde, já no estacionamento do Feira Center, fechado sem explicações, os advogados dos feirantes chegaram com a liminar que garante o funcionamento da feira até o fim do ano. Caso o proprietário descumpra a decisão, pagará multa de R$ 500 por dia. Simão também nega que a inadimplência esteja tão alta. "A direção do shopping impediu que a gente ficasse em dia para ter a justificativa de pedir o espaço de volta".
O titular da Secretaria da Ciência, Tecnologia, Trabalho e Empreendedorismo de Maracanaú, Francisco Rebouças Neto, confirma o fim da parceria. No entanto, garante que a Prefeitura tem interesse de manter os feirantes na cidade. Para isso, deverá se reunir com a AFS e definir novos rumos. Hoje, informa, um recadastramento começa a ser realizado. "Queremos saber quem ficará aqui e como será esse novo acordo".
A Prefeitura também estuda um terreno para onde encaminhará os feirantes. "Vamos saber as razões pelas quais o espaço no Feira Center não atraiu o número aguardado de consumidores", afirma o secretário. Na realidade, confirma Simão Furtado, os ônibus vindos de estados vizinhos com sacoleiros preferem a Rua José Avelino, no Centro de Fortaleza.