Tornou-se comum ouvir em qualquer lugar que seja pessoas dizerem-se formadas nisto e naquilo. Entre ricos e pobres, na cidade grande e no interior, de norte a sul do país, há sempre uns semideuses cheios de… belos diplomas pendurados em paredes; estão em especializações, cursinhos, treinamentos coaching etc. etc. Gabam-se de terem ido a universidades e outras entidades pseudo-educativas (e ideologizadas) muito mais interessadas em números e propaganda do que em transmitir o que M. J. Adler chamava de entendimento superior.

Não se pode negar que o número de frequentadores de salas de aula aumentou bastante nas últimas décadas. No entanto, não coincidindo com qualidade e apesar de muitos conseguirem concluir o percurso desejado, a reputação e a frágil proteção do papel conferidor do título ou do cargo logo se desmoronam quando colocados à prova. Resultado disso é o somatório de casos de imperícia, negligência e demais erros entre profissionais que deveriam contribuir tão somente para o bem da sociedade: de médicos a advogados, de professores a policiais, engenheiros, jornalistas, e por aí vai. Não é apenas questão de falta de talento, como alguns podem pensar, mas de formação – capacitação para os reais problemas das pessoas.

Em artigo não tão recente, o publicitário brasileiro Nizan Guanaes diz que “Livros e dinheiro são uma mistura perfeita para elegância, savoir faire e bom gosto”, referindo-se à cultura que falta ‘às nossas classes altas’. É verdade, em parte, mas é sincero dizer também que diploma e ‘gente formada’ são só prato cheio para enfeitar timelines e profiles de redes sociais diversas. Símbolos externos do conhecimento servem para adornar carreiras no mais das vezes medíocres ou subginasianas. Faz-se necessário mais: autoconhecimento e preparo psicológico, formação humana, capacitação técnica, consciência do dever a cumprir – e tudo isso acima do dinheirismo e do narcisismo; da histeria e da propaganda.

Winston Churchill, Machado de Assis e Patativa do Assaré – para ficar somente neles – não precisaram de tirocínio junto ao ensino regular, ou pelo menos completá-lo, para alcançar postos altos na vida, na cultura, porém sua capacidade de compreensão da realidade, do valor daquilo que é simples mas importante, lhes concedeu não só reconhecimento, como também enobrecimento da alma, sua e de outrem.

Entenda-se de uma vez por todas: diplomas, cargos, títulos e tutti quanti não configuram a alta cultura, o entendimento notável e enriquecedor, a sabedoria. Aquela advém, sobretudo, do convívio permanente com grandes e ricos espíritos (dezenas deles soterrados cruel e injustamente ao longo da história); o outro, do confronto sadio entre as suas sublimes contribuições; e, last but not least, esta está ligada às experiências acumuladas com a idade. Mister se faz que nos esforcemos para elevarmos a nossa existência. É preciso ir além, sempre.

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